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terça-feira, 8 de novembro de 2016

Milhas: algumas coisas que você precisa saber!

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Quando eu falo para alguém que eu amo viajar, e tento viajar o quanto posso, um dos primeiros tópicos que surgem na mesa é o resgate de passagens aéreas com milhas.
Viajar é preciso...

Veja, meu objetivo aqui não é desanimar ninguém. Mas preciso te contar algumas realidades sobre milhas e programas de fidelidade. Eu sempre acho que ter expectativas sobre uma coisa e depois ver que ela "não é bem assim" é muito frustante. E quanto mais tempo alimentarmos esse monstro (a expectativa), pior a coisa fica. Então vamos colocar os pingos nos is logo de cara: viajar com milhas não é para qualquer um. E a sensação (extremamente pessoal) que tenho aqui é de que quanto mais dinheiro você tem (para viajar pagando e gastar no cartão de crédito) mais provável que você consiga efetivamente juntar milhas e utilizá-las para viajar. Parece até que a coisa fica meio contraditória, só há economia se você tem dinheiro para gastar. Não, o mundo não é um lugar justo. =/


Eu mesma fiquei me quebrando por muito tempo até descobrir que sozinha não tinha o perfil para fazer aqueles suados pontinhos virarem uma viagem de fato. A ideia hoje é te mostrar um cenário geral para que você tente entender se você consegue se encaixar em alguma das formas para juntar milhas e se elas serão suficientes para que resgate viagens. E no fim ainda vamos falar sobre outras formas de gastar esses pontos, caso você veja que será difícil juntar a quantidade necessária para comprar uma passagem aérea.

Quantos pontos são necessários para resgatar uma passagem aérea?

O problema não é você... São as propagandas!Depende. Considerando o melhor caso, em que você pode viajar a qualquer época do ano, incluindo ir em uma terça e voltar em outra terça: entre 4 e 8 mil pontos para destinos nacionais e 8 e 12 mil para a América do Sul. Geralmente a distância e o número de conexões afetam esses valores. Se você só pode viajar em feriados prolongados e épocas de alta temporada como julho, e dezembro a fevereiro, se prepare para valores bem maiores que estes. Um trecho Curitiba - Recife na época das festas de dezembro de 2016 chega a custa 35 mil pontos. Só a ida. Em baixíssima temporada um trecho para Orlando pela American Airlines chega a custar 20 mil pontos (com sorte) mas talvez seja um voo em que você fará um pequeno tour pelos EUA antes de chegar efetivamente na terra do Mickey.

Essa é uma ideia bem superficial de que a quantidade de milhas/pontos que você precisa acumular varia com destino/disponibilidade/trajeto. Faça algumas buscas simulando o que você tem em mente para ter uma visão mais real no seu caso.

E agora, como acumular milhas?

1 - Viajando! Sim, um dos meios mais eficientes principalmente se você viaja pela empresa. Se a empresa concentra suas viagens sempre na mesma companhia aérea, melhor ainda! Geralmente você precisa solicitar a pontuação no momento do check-in ou depois da viagem com o bilhete em mãos. Os sites das companhias têm melhorado bastante para nos ajudar nesses casos. Geralmente a quantidade de pontos é atribuída de acordo com a distância percorrida. Apenas algumas poucas companhias ainda creditam valores fechados de pontos sem considerar a distância. Ainda há alguns pontos extras se a passagem for comprada em cima da hora (sem promoção) e se você já tiver um status considerável junto a companhia. Resumindo: quanto mais você viaja, quanto mais longe os destinos e mais alta for a sua categoria no programa de fidelidade, mais rápido você consegue acumular e usufruir desses pontos.
Você precisa ser muito disciplinado para não deixar os pontos vencerem. As vezes demora-se tanto para conseguir juntar que quando se está quase lá os pontos mais antigos começam a vencer. E eles não te avisam formalmente. Aqui eu te conto a ferramenta que eu utilizo para controlar os meus suados pontinhos.
Minha última viagem pela Latam de Curitiba para São Paulo me rendeu 442 pontos ida e volta. Para voar um trecho desses com resgate promocional de 4 mil pontos eu teria que voar 18 vezes para juntar o suficiente para ida e volta.

2 - Gastando no cartão de crédito. Esse mecanismo é ótimo, mas também é perigoso, principalmente para que tem histórico de descontrole financeiro com esse amado pedacinho de plástico. Para ter um bom acúmulo você precisa impulsionar com um combo de ações:
  1. Ter um cartão de crédito com boa taxa de conversão. Por padrão aquele cartão que o banco te oferece de graça a taxa de conversão é 1 ponto a cada DÓLAR gasto. Com o dólar na situação atual a coisa fica terrível. Tem cartões que acumulam comparando com o real, e nesse caso é bom fazer as contas e ver se não é mais vantajoso. Conforme você sobe o status do cartão (gold, platinum, black, select, etc) maior é a taxa de conversão, chegando a no máximo uns 3 pontos por dólar gasto. Porém, esses cartões costumam ser pagos, e a não ser que você mantenha altos investimentos no banco essa anuidade pode acabar com a vantagem do acúmulo. Nubank na sua versão gratuita e mais conhecida não acumula pontos.

  2. Concentrar todos os gastos neste cartão. Não importa se são 2 reais na padaria. Se eles aceitam crédito você tem que pagar no crédito. Se não aceitam crédito, você tem que arranjar outra padaria que aceite.

  3. Todas as pessoas da família que têm cartão de crédito devem estar vinculadas a um cartão "pai". Os famosos adicionais. Assim a concentração dos gastos é ainda mais eficiente.

  4. Observar qual a validade dos pontos no cartão. A grande maioria são 2 anos, alguns poucos bons são 3. Antigamente havia alguns cartões em que os pontos não expiravam, e foi só nessa ocasião em que eu consegui juntar pontos suficientes para resgatar passagem. Quando os pontos estão próximos do vencimento, o ideal é transferir para o programa de fidelidade escolhido e a partir deste momento eles passam a ter a validade do programa, também geralmente 2 anos.

  5. Definir qual o melhor programa de fidelidade para você com o cartão que você tem: avalie quais programas tem passagens para os locais que você deseja ir, quais deles o numero de pontos costuma ser menor, se esse programa costuma fazer promoções na transferência dos pontos do seu banco para ele. Por exemplo: a Azul tem fama de ter uma pontuação elevada para compra de passagens com milhas. Porém, historicamente umas duas vezes por ano eles fazem promoção com o Itaú em que chega a dobrar os pontos transferidos. Aqui entra a avaliação específica do(s) destino(s) pretendido(s).
3 - Fidelidade em postos de gasolina. Aqui eu sei que a rede Petrobrás e Ipiranga têm programas de fidelidade que você pode transferir pontos para companhias aéreas. Só tenho experiencia real sobre o Ipiranga, e ainda não fiz nenhuma transferência porque eles cobram uma taxa que eu achei muito cara. Mas tem gente que jura de pé junto que existem promoções em que a transferência vale a pena. Estou esperando... =D Ah, e a validade aqui costuma ser menor, no Ipiranga é de 12 meses.

4 - Na internet. Sim, tem várias situações internet a fora que fazem com que você acumule pontos nos programas de fidelidade. O mais conhecidos são:
  1. Tripadvisor, onde você avalia lugares, hotéis, restaurantes e pontos turísticos tendo a sua conta associada ao Multiplus (Latam) e ganha pontos por isso. Quanto menos gente tiver avaliado aquele lugar, maior costuma ser o número de pontos. Mas a maioria são 5 ou 10 pontos por review. Haja escrever.

  2. Compras na Internet: comprar no Ponto Frio, Extra, Fast, Apple, Natura e outros podem reverter pontos para o seu programa de fidelidade. Sempre que for fazer uma compra dê uma olhada quais lojas tem esse convênio com o seu programa de fidelidade. Se o preço é o mesmo, esse pode ser o fator de escolha. E aqui você ainda pode fazer um mini combo, já que pagando com o cartão de crédito você ainda vai acumular os pontos dele.

  3. Redes de hotéis e Booking: algumas redes de hotéis tem programa de fidelidade em que se hospedando você junta pontos e depois pode transferir para as companhias aéreas (e vice versa). O Booking também, quando você reserva uma acomodação pelo link da campanha, ele reverte pontos a cada dólar gasto para o seu programa de fidelidade.
Como saber se o acúmulo de milhas é bom negócio para mim?

Vamos fazer uma simulação pegando uma situação intermediária: você tirou férias em agosto e conseguiu ida e volta por 18 mil pontos por pessoa. Vai você e mais alguém (2 pessoas).
Supondo que você não viaja pela empresa e vai acumular pontos predominantemente pelo cartão de crédito (maioria das pessoas com quem converso). Se o seu cartão converte 1 ponto a cada dólar gasto, considerando a cotação do dólar em R$ 3,40 você precisa gastar no cartão de crédito R$ 132.400,00, para resgatar 36.000 pontos. Isso dá uma média de R$ 5.100 de gasto mensal em DOIS anos. Caso o seu cartão tenha uma conversão melhor e você viaje eventualmente acumulando milhas, esse cenário melhora.

Conclusão:
É possível? É. Mas não é fácil. Envolve essa disciplina e estudo prévio para não perder nenhum pontinho por aí. E esses pontos são seus de qualquer maneira, então USE-OS. Caso não sejam suficiente para resgatar passagens, geralmente existem outras formas de resgate, tanto nos programas de fidelidade das companhias aéreas como nos do próprio cartão. Resgate de vestuário, eletrodomésticos, créditos para celular, estadias... Há uma infinidade de coisas que exigem menos pontos. Eu mesma já fiz resgate de passagem para Miami (depois de uma sequência de combos) e já fiquei frustrada em resgatar panela porque os pontos estavam vencendo e não eram suficientes para viajar. Mas a gente tem que pensar que é melhor que nada! E nem sempre dá para ganhar.

Se tiverem alguma dúvida ou algo para compartilhar sobre o tema, comenta aí!

Obs: existe ainda o uso de milhas para upgrade de passagem em viagens internacionais, mas isso é assunto para outra ocasião.

Um comentário:

  1. Carou! Adorei a sinceridade! Acabou minha ilusão com esses pontos! hahahahahah

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