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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Destinos exóticos - Atacama parte 4

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Oi, inspiretes!

Continuando, passamos ao dia 09/01. Desta vez já começo começando, porque nesse dia os passeios tiveram início às 5h da manhã e, confesso, não sou uma pessoa matutina. Para mim qualquer coisa que aconteça antes das 10h tem que ser muito incrivelmente maravilhoso para prender minha atenção e conseguir deixar marcas na minha memória.

Ainda bem que esse foi exatamente o caso, não?! Hehe



O café da manhã do hotel onde nos hospedamos começava às 7h, portanto recebemos um lanche que foi preparado pelo hotel, mas oferecido pela agência de turismo. Lanchinho necessário, pois a viagem foi longa… E para alguns, acompanhada de um pouquinho de mau humor… 

Explico: Para evitar o soroche, que é o mal estar causado pela altitude, recomenda-se não ingerir carne ou álcool na noite anterior e isso não deixou os nossos meninos muito felizes… hahaha

É claro que não foi um mau humor épico, só uma chateaçãozinha mesmo, é que os meninos são muito carnívoros! Mas, isso se resolveu lindamente mais tarde, daqui a pouco eu chego lá…

Primeiro eu preciso falar do frio.

MENOS SETE GRAUS

Você leu bem, MENOS, negativo, frio para chuchu.

Mas, Ana… Você não tava no deserto, meu bem?? Pois é, gente… No deserto faz um frio impressionante! 

Eu coloquei calça de plush por baixo de uma calça cortavento, acompanhada de blusa 2º pele, blusa de lã, blusa cortavento, luvas, meias grossas, lenço e chapéu. Foi suficiente? Não, não mesmo.

A altitude combinada ao ar extremamente seco gera uma sensação térmica diferente do que estamos acostumados e eu já não sei dizer o que era frio e o que era medo do vento. Sabe quando você sente que vai vir uma rajada e já se encolhe? Então, isso dá uma aumentada nos nossos sensores, né? Daí a “leitura térmica” fica meio destrambelhada… hahaha

Mas, o passeio não é feito na madrugada para judiar dos turistas ou mostrar a abrangência térmica do deserto. O objetivo é “ver” o passeio… Mas, eu já tô me adiantando, nem falei ainda para onde é que a gente foi! Calma, Ana…. Calma!

Então, nosso destino inicial foram os Geysers del Tatio que ficam a mais ou menos 100km de distância do vilarejo e aqui  eu faço uma pausa para contar para vocês a lenda milenar do local.



Segundo nossa guia, a lenda conta que o Tatio era um guerreiro temível e orgulhoso. Muito habilidoso em batalhas, com uma coração feroz e armas letais! Mas, um dia seu orgulho lhe subiu a cabeça e ele começou a se achar mais importante do que o deus Sol! 
O Sol, por sua vez, não podia deixar essa história assim e resolveu tomar providências antes que as demais tribos começassem a acreditar que o Tatio era mesmo o maioral.
Por isso ele transformou o Tatio num vulcão. Assim o bonito não poderia mais batalhar e ficaria imóvel pelo resto da existência, servindo de exemplo àqueles que ousarem se colocar acima do astro rei.
Agora todas as manhãs, quando o sol nasce e está pertinho, tocando o horizonte, o Tatio chora implorando ao deus que o transforme novamente no homem que fora. 

O que nós vemos pela manhã, portanto, são as lágrimas de Tatio!


Como ele só chora pela manhã, nós precisamos estar no local antes do nascer do sol e por isso enfrentamos a friaca mais fria dos frios da história das friacas.

É claro que o motivo real é que depois que o sol nasce esquenta consideravelmente e por isso não é mais possível enxergar os vapores dos geysers, mas… A história é legal e eu adorei ficar passando ela na minha cabeça enquanto andava pelo local! 


Os geysers não são muito altos, afinal esse é só (cof cof) o terceiro maior campo de geysers do mundo… Mas, não foi menos impressionante por isso! 


Os caminhos são ladeados de pedras, indicando aos turistas os locais onde se é permitido transitar. Apesar dos avisos dignos de Stephen King dados pela nossa guia, ainda houve quem se arriscasse a pular os limites para tirar fotos do ladinho dos geysers. Eu tenho amor à vida, então fiquei bonitinha no caminho indicado… Eu hein!
As torrentes de água fervente chegam a 86ºC, pois estão a 4.300 metros de altitude e o ponto de ebulição da água vai diminuindo conforme se sobe, mas já é quente o suficiente para provocar queimaduras de 3º grau. Sem falar que o terreno em volta dos pontos de ebulição é frágil e pode ceder com o peso de uma pessoa. 

Caminhamos, tiramos fotos, ficamos tontos com os vapores ricos em enxofre que enchiam o ar.

Depois, aos corajosos, foi dada a oportunidade de se banhar numa piscina natural. Quente por causa dos geysers, mas como tirar a roupa naquele frio terrível?




Eu não consegui, juro que pensei muito no fato de que eu provavelmente não iria mais ter essa oportunidade… Mas, não deu não.

Enquanto uns se banhavam (não queria dizer loucos, mas… loucos), outros começaram a tomar café perto do ônibus da equipe de turismo. Algo mais substancial desta vez!

Neste local tinha um banheiro com uma placa indicativa. Essa placa mereceu um clique.



Depois nós nos dirigimos ao povoado Machuca, cuja pronúncia é matiuca, então nem adianta fazer piada que não cola… hahaha





Antes de chegar, nós demos uma paradinha em um mirante do caminho. Nesse mirante é possível ver alguns animais e uma vista deslumbrante!





No povoado nós fizemos uma coisa muito legal!

Comemos carne de lhamo!! Sim, lhamO. No caso, o macho da lhama. Você deve estar se perguntando o porquê de eu ser tão específica quanto a isso e eu te explico: a região é muito árida, não é difícil apenas lidar com a agricultura, mas com a criação de animais também. Sendo assim, o povo local valoriza muito as fêmeas de seus rebanhos, pois são elas que garantem as próximas gerações! Por isso, não se come as fêmeas, apenas os machos porque são substituíveis.

Desculpa aí, macharada… Só tô repassando a informação…




Nesse povoado vivem duas famílias, cerca de 20 pessoas. Essas pessoas se revezam entre morar na cidade e morar no povoado com o objetivo de não deixar a cultura morrer! Achei isso muito digno!



E, claro, junto com a cultura de centenas de anos eles também vão adaptando suas moradas ao século 21 com energia elétrica, antenas e telefone. Afinal, não é preciso se isolar totalmente da civilização a fim de manter a cultura, pois a cultura é algo que se herda, é passado entre as gerações através de costumes e histórias. E essas histórias serão sempre alimentadas e divididas enquanto essas famílias se dedicarem à elas!


E, como não podia ser diferente, esse povoado tem uma igreja. Eu não vou me arriscar e tentar descrever o que é a religião para eles, pois eu jamais conseguiria sequer arranhar a superfície da importância que a fé representa na vida de pessoas que moram em um local tão inóspito e difícil. Só posso mostrar o cuidado e carinho com o qual eles mantêm a construção.




Depois disso, voltamos para o vilarejo de San Pedro de Atacama, mas não sem antes dar mais uma paradinha no caminho!



Aqui nesse mirante podemos ver flamingos e eu tirei uma foto de uma gaivota que deu orgulho!



E assim terminamos o passeio do dia, repleto de paz e beleza!

Confira as outras partes deste diário nos links abaixo:



E eu volto semana que vem com mais!


Bjokas e até lá!



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4 comentários:

  1. Nossa! Só posso dizer que me senti transportada para esse lugar tão lindo! Ótimo texto e aguardo a continuação ^_~

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  2. Que lugar MARAVILHOOOSO!!!!!!!!!!
    Ps., É um "bambi" na foto? rs

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